Água de ti.
Percorri em silêncio o nosso caminho. Só pensei em ti. Em nós também, mas agridem-me as lembranças de um tempo que há muito deixei de viver. Em nós, pensei menos um pouco. Lembrei-me de como as árvores no horizonte se transformavam por magia em guerreiros gigantes, guardiões da passagem mais nobre para as montanhas distantes, mesmo na fronteira do paraíso, quando ainda brincavamos ali. E afinal o paraíso era você, agora eu sei.
Escapa das minhas mãos a água do riacho, como por entre os dedos fugiu o último fio do teu lindo cabelo negro que tive a sorte de acariciar. O cabelo longo que você molhava com alegria, junto a água que corria. E eu, encostado a uma rocha, te olhava e ficava feliz.
Na boca amarga-me o acre da saudade, mastigada com solidão. A água fresca do riacho não me adoça o coração azedo e não mata a sede, a que mais me atormenta, muita sede de ti.
Mas bebo muita, bebo toda água que posso, pois quando o teu sorriso se fez beijo, a água já estava aqui. Te prometo, todos os dias, em silêncio pelo caminho, dar à alma a sua boca e à a minha boca uma ilusão.
- Postado por ««Ðäñðä®ä»» exatamente às 21h43
[ ]
[ divulgue
minhas palavras ]
______________________________________________
Layout criado exclusivamente por Imaginary Templates
|